O Fruto

Moedas
atiradas,
que se tornam
pedras
quando lançadas,
o escárnio
que carregam
queima,
mas queima mais
a fome,
surda chama.

Rastejamos
sem pudor
por esta lama,
celebrando
a anomia
a que se chama,
sociedade.

Quando se irá
levantar o homem
do chão
e pegar
pela própria
mão,
no que é seu
de direito,
falar alto e
encher o peito
do doce ar,
que exala
o feito
de seus pais
de seu país,
que um dia
levantando-se caiu
e não morreu,
meramente
subsistiu,
para que pudesse
este
levantar-se em fim,
e com um fim
proposto.

Erguer-se
amargamente,
a contra-gosto,
para colher
o fruto augusto
que diariamente
lhe é oferecido
e
que pronto
está
para ser colhido.



António de Almeida Carvalho
Estudante - Licenciatura em Relações Internacionais

publicado por Joana Graça Feliciano às 21:26 | link do post | comentar