China : Que futuro ?

‘’ A economia chinesa deverá crescer 8,2 por cento em 2012 e 8,6 por cento em 2013, segundo a previsão difundida hoje pelo Banco Mundial.’’

  

Crescimento económico, investimento global, comércio, tudo isto caracteriza a China de hoje em dia.

    A dinâmica de crescimento da economia chinesa nos últimos 50 anos está entre os desenvolvimentos importantes do século XX. China tem experimentado uma série de políticas e as reformas institucionais, algumas das quais envolveram deslocamentos abruptos do seu país o que influenciou a ordem econômica, social, cultural e político. A verdadeira razão de ser para estas reformas foi para promover o desenvolvimento económico rápido e uma distribuição mais igualitária da riqueza, para atingir autossuficiência nacional. 

  O verdadeiro milagre de desenvolvimento da China ainda está nos seus primeiros passos.

  A expressão «um país, dois sistemas» já não se refere tanto a divisão entra a China e Taiwan, mas sobretudo ao dualismo do ‘’mercado-leninismo”. Para o Ocidente existe um axioma da Historia segundo o qual nenhum país capitalista consegue sustentar o paradoxo de uma economia capitalista, aliada a um governo autoritário – e no entanto é precisamente essa a verdadeira realidade da China. As potências estrangeiras nunca conseguiram penetrar nas inescrutáveis políticas imperiais e portanto o Ocidente deve aceitar a ‘’China como ela é e não como querem que ela seja’’.

  Desde a quase simultaneidade entra a revolta na Praça de Tiananmen e a desintegração da União Soviética, a China e a Rússia têm seguido duas trajetórias muito diferentes. O comunismo chinês foi abandonado por escolha estratégica e substituído, não por um neo-conservadorismo ao estilo russo, nem por um capitalismo apocalíptico, mas sim, por uma transição rumo ao ‘’pacto asiático’’. 

   Por mais ajustamentos ideológicos que o partido faça, continua a haver vários ‘’nãos’’ absolutos e invioláveis: não á liberdade religiosa para os cerca de 40 milhões de cristãos que existem na China, nem para os 30 milhões de muçulmanos.

   A China assistiu já a uma toxicodependência generalizada em relação ao ópio e não irá permitir que a máxima de Marx ‘’ópio do povo’’, se espalhe livremente.

  O PCC é mais poderoso que, mais sofisticado e mais complexo do que qualquer dinastia da história chinesa. Em vez de terem crianças a governar, tem hoje ‘’imperadores’’ MBA que pensam em termos de planos empresariais. A China está dotada de uma nova elite, uma geração que viram os seus familiares sofreram as amarguras do maoismo, que se sacrificou por eles, uma geração mais preparada, mais calculista, capaz de analisar e compreender as fraquezas do Homem e as ambições de uma sociedade cada vez mais exigente, que é controlada com um pulso de ferro.

 

  Contudo, os únicos regimes mais corruptos do que os regimes onde vários partidos rivalizam pelo poder são aqueles onde um partido detém o poder todo. A corrupção na China vai desde a venda de cargos governamentais, a interferência em pequenas e grandes empresas, ate a pirataria fomentada pelo Exército chinês, com vista a angariar fundos.

  Contudo, o povo chinês (no geral) prefere ter um Estado forte do que um Estado fraco, passível de ser explorado pelas potências estrangeira. Em 2004 houve na China 74 000 manifestações, foram no geral contra as alterações dos preços, expropriação de terras e os direitos no local de trabalho – e não uma crescente onde revolucionária contra o Governo chinês.

   A China só irá dar ouvidos aos apelos de democratização, ou qualquer outra mudança sistémica, quando alcançar a meta de uma população com rendimentos médios por volta de 2050.De facto, a democracia talvez chegue a China (se é que alguma vez chegará),mas a corrida e puramente interna, sem dar azo a exigências externas.

 

 

 

 

                                                                                                                                                                                                            Miguel Màximo

                                                                                                                                                              Estudante - Licenciatura de Ciência Política

publicado por miguelmaximo às 19:30 | link do post | comentar