Segunda-feira, 30.04.12

Haja Coragem!

 

 

 

 

 

 

 

 

Haja coragem para enfrentar estes dias fastiosos, este mar de incerteza e sem futuro em que vivemos. Haja coragem para não desvanecer.


Para mim os tempos passados, de um Portugal aventuroso pelos bravios caminhos marítimos estão ultrapassados. Não vale a pena viver do passado se é no presente que crescem os nossos dias, e é para o futuro que nós caminhamos. É preciso ter atenção em quem nos quer implantar sentimentos de saudosismo de velhos tempos (ultra) passados. Quem o faz sabe muito bem o que tenciona. Criar distracções no presente com velhas histórias de tempos de glória é algo que deve ser sempre de desconfiar. O que há de tão errado no presente que não nos queiram deixar observar? Nós sabemos bem tudo o que se passa. Chamam-lhe de crise, de regressão, de más políticas (de maus políticos). Eu sou das pessoas que gostam de chamar as coisas pelo nome. Se a nossa vida é feita das escolhas por nós adoptadas, assim também o é este presente. Somando o negro percurso de longos (e penosos) anos de más opções e acções tomadas, o resultado que se apura é esta actualidade sem grandes fundos.


Se gerir o país é similar a gerir uma casa, acho que temos muitos maus senhorios.
É tão português o fado como os “remendos”. Aqui não se previne, só se remedeia – podia ser este o slogan de Portugal. Bem sei que não é muito apelativo, mas pelo menos é verdadeiro.

 

Joana Graça Feliciano
estudante - licenciatura de Relações Internacionais 

publicado por Joana Graça Feliciano às 22:19 | link do post | comentar
Quarta-feira, 25.04.12

O 25 de Abril, a Revolução e os 38 anos que já passaram…

Todos os anos são-nos relembradas as lutas passadas do nosso povo, entre elas destaca-se pela sua importância política e social a Revolução dos Cravos, o 25 de Abril de 1974. Nos dias que corriam antes dessa data, a luta contra a ditadura era uma constante e o que alimentava o povo português era a esperança na construção de um país renovado que passava pela ânsia da liberdade, que há muito se encontrava subjugada aos interesses dos opressores da época.

 

Hoje a luta é outra. Já não se travam disputas pelo fim da ditadura, mas sim pela eficiência que é devida a esta democracia que nos foi herdada. Os valores que pontuavam a Revolução de 1974 foram perdendo o seu conteúdo, muito devido às dificuldades que se foram impondo no caminho e crescimento do Estado português.

Passados 38 anos desde este marco histórico, novas questões e análises são feitas sobre o legado pós-revolucionário. A dúvida que se impõe agora em muitas das mentes portuguesas é a da transposição dos valores do 25 de Abril para a nossa actualidade e a qual a constatação do presente faz agravar: “Foi para isto que se fez o 25 de Abril e precisaremos nós de um nova revolução para enfrentar os novos tipos de opressão que o século XXI nos reservou para que assim despertemos a consciência cívica?”.

 

A resposta a esta e muitas outras dúvidas que o tempo de crise política e económica nos levam a formular, são de resposta e consensos difíceis de obter. Mas a verdade é que o 25 de Abril foi feito para obtermos a realidade que temos agora, independentemente dos defeitos que nela encontramos. A Revolução foi feita para quebrarmos com o isolacionismo e anacronismo que nos tinha sido imposto, foi feita para crescermos em democracia, alcançar Justiça Social e viver nos valores liberais da nova era.

Mas a realidade que nos se apresenta agora parece sofrer de uma carência de muitos desses valores pelos quais lutámos arduamente para obter.

 

Não temos necessariamente de olhar para o presente como um castigo pelas decisões do passado, e nem devemos colocar de parte os valores republicanos que construímos. Temos sim de continuar a lutar pela democracia que alcançámos e desse modo reaviva-la para que sejam ultrapassadas as fragilidades e insuficiências que nela começam a transparecer.

 

Há que dar uso à liberdade conquistada e que aparenta estar cada vez mais limitada. O 25 de Abril não foi feito para esta realidade exacta em que nos encontramos, mas foi feito para conseguirmos obter muitos dos meios que são necessários para a ultrapassar.

 

São por estas razões aqui mencionadas que a Revolução dos Cravos aconteceu e são por estas mesmas razões que todos os anos nos é relembrada esta data. Tudo isto para que não esqueçamos que a aspiração portuguesa foi escrita há 38 anos atrás e passava pelos mesmos ideais e valores simples de sempre: um país mais livre, democrático, justo e fraterno.

 

 

Joana Graça Feliciano
estudante - licenciatura de Relações Internacionais 

 

 

 

 

 

publicado por Joana Graça Feliciano às 13:38 | link do post | comentar

"Zona Crítica"

é um projecto recente que pretende fomentar uma análise política, económica e social sobre a realidade nacional/internacional, sem necessariamente seguir uma orientação partidária.

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