Domingo, 09.09.12

O Fruto

Moedas
atiradas,
que se tornam
pedras
quando lançadas,
o escárnio
que carregam
queima,
mas queima mais
a fome,
surda chama.

Rastejamos
sem pudor
por esta lama,
celebrando
a anomia
a que se chama,
sociedade.

Quando se irá
levantar o homem
do chão
e pegar
pela própria
mão,
no que é seu
de direito,
falar alto e
encher o peito
do doce ar,
que exala
o feito
de seus pais
de seu país,
que um dia
levantando-se caiu
e não morreu,
meramente
subsistiu,
para que pudesse
este
levantar-se em fim,
e com um fim
proposto.

Erguer-se
amargamente,
a contra-gosto,
para colher
o fruto augusto
que diariamente
lhe é oferecido
e
que pronto
está
para ser colhido.



António de Almeida Carvalho
Estudante - Licenciatura em Relações Internacionais

publicado por Joana Graça Feliciano às 21:26 | link do post | comentar | ver comentários (1)
Domingo, 13.05.12

"The First Gay President" - a controvérsia.

A Newsweek Magazine publicou mais uma cover controversa!
Depois da muito provocadora capa com Sara Palin em 2009, da muito criticada publicação com a foto pouco favorecida de Michele Bachmann acompanhada pela headline "Queen of Range" em 2011, e da manchete "Why are Obama's Critics so dumb?", na edição de Janeiro deste ano, a Newsweek não se conteve com as últimas notícias da actualidade norte-americana.

Desta feita o marketing controverso desta revista focou-se nas últimas palavras de apoio ao casamento gay por parte de Barack Obama, ilustrada por uma imagem do presidente fazendo uso de uma  auréola com as cores da bandeira do movimento LGBT, e dando lugar à seguinte frase "The First Gay President".

 

 

No seu artigo de capa, Andrew Sullivan, o popular e abertamente homossexual blogger político, defende que o comunicado feito pelo Presidente Obama estava há anos para ser feito.  Ao longo da sua cover story Sullivan  faz comparações  entre as semelhanças partilhadas pelo Presidente e a comunidade gay:  "He had to discover his black identity and then reconcile it with his white family, just as gays discover their homosexual identity and then have to reconcile it with their heterosexual family".


 Posteriormente Sullivan destaca a relevância do aval dado pelo presidente através de um texto publicado no site "The Daily Beast", onde afirma: "Today Obama did more than make a logical step. He let go of fear (...) He is clearly prepared to let the political chips fall as they may. That's why we elected him. That's the change we believed in".

 

Apesar das palavras sábias ou menos sábias de Andrew Sullivan a questionável capa mantém-se e faz uso do seu primordial propósito: apelar ao criticismo e aumentar as vendas.

Contudo, a título pessoal tenho de acrescentar que para além deste propósito natural de comercialização, a imagem e o título não são os mais bem-vindos. Esta ideia de "First gay president" pode remeter para a visão estupidificada de que quem defende  a conquista de direitos igualitários na sociedade tem de ser automaticamente rotulado na mesma medida.

 

 

 

 

 

Joana Graça Feliciano
estudante - licenciatura de Relações Internacionais

 

 

 

 

publicado por Joana Graça Feliciano às 21:44 | link do post | comentar
Segunda-feira, 07.05.12

O desespero austero Grego

 

Foi depois de ver uma pequena reportagem na CNN enquanto fazia algum zapping pela televisão turca que me apercebi do novo limiar do desespero grego e como a austeridade pode encaminhar a um desespero real e maior: a morte.

 

O aumentar dos impostos, do número de desempregados e dos cortes nas pensões assim como na segurança social nacional vão para além do impacto básico sobre a economia familiar, chega a ter severas consequências sociais e psicológicas.

 

A economia grega está prestes a atingir o seu quinto ano de recessão e acompanhando esta espiral decrescente estão os inúmeros protestos e suicídios públicos - também referidos como 'debt suicides'.

 

Depois do caso de Apostolos Polyzonis, um empresário grego que após ter visto o seu pedido de um empréstimo para  pagar os estudos universitários da sua filha ser recusado, foi levado a perder o controlo e decidiu infligir fogo sobre si próprio à frente do próprio banco. Por sorte ou desfortuna - tudo depende de como Polyzonis encara agora o seu futuro, este sobreviveu depois de passar 7 dias internado no hospital sob cuidados intensivos.
Um dos últimos suicídios que foi alvo de grande mediatização, foi o de Dimitris Christoulas, um reformado de 77 anos que outrora fora um trabalhador no sector farmacêutico, e que pôs fim à sua vida perto do Parlamento Grego.
O seu acto foi justificado através de um último bilhete que deixou, onde ficou marcado este novo desespero grego e a possibilidade de um futuro vaticínio: 
“Não vejo outra solução senão esta forma digna de pôr fim à minha vida, para não acabar a vasculhar nos caixotes do lixo para me sustentar (...) Acho que os jovens sem futuro um dia pegarão em armas e enforcarão os traidores deste país na Praça Sintagma, como os italianos fizeram com Mussolini em 1945.”

 

Na Grécia, desde que a crise adquiriu as proporções preocupantes possíveis de percepcionar actualmente, os casos como o de Apostolos Polyzonis e de Christoulas  têm aumentado drasticamente.  Actualmente as linhas de apoio telefónico de prevenção do suicídio têm registado mais de um centena de chamadas diariamente.

 

Em Setembro do ano que passou, o ministro da Saúde da Grécia, Andreas Loverdos, disse que o índice de suicídios no país pode ter aumentado 40% nos primeiros meses de 2011, porém este número pode ser muito mais elevado do que as previsões lançadas publicamente.

 

 

O que se encontra aqui em questão não é um possível suicídio em massa, ou como alguns tendem a criticar "uma covardia em massa". Ninguém comete tal resignado acto sobre si de leve ânimo. O que leva as pessoas a tomarem tal decisão é a mesma que as leva a questionar os limites sustentáveis da qualidade de vida num país que se diz desenvolvido.
Para estes indivíduos o protesto sustentasse na base de que viver em condições tão extremas não é sequer  viver, por isso tendem para a morte na esperança de serem ouvidos e de se conseguirem libertar de um futuro que se pode tornar mais decadente do que o seu frágil presente. A falta de esperança e de perspectivas para a sua vida e para os seus familiares é o que os faz escolher a morte.

 

Não é correcto dizer a alguém que vive numa decadência à qual não está habituado e contra a qual sempre lutara em vida, que as suas acções só revelam covardia. Facto é que se entrarmos em comparação com a decadência prolongada que a população de um país subdesenvolvido tem de suportar, esta nova realidade europeia parece não ser justificação para tais actos de desespero, contudo há que manter em mente que para estas pessoas vindas de um país pertencente ao grupo dos mais desenvolvidos, com os novos desafios advindos da crise mundial o correcto e o justo perderam as suas normais definições e limites.

 

Ainda dentro desta dinâmica de pensamento deixo aqui transcrita uma afirmação dada à BBC Online do Brasil por Bakiari, pertencente a uma ONG de prevenção ao suicídio Klimaka: "O peso da crise é simplesmente maior do que a capacidade desta sociedade de sustentá-lo(...)".

 

 

 

 

 

Links úteis:
 

(Crise grega leva reformado ao suicídio na praça Sintagma de Atenas)

 http://www.ionline.pt/mundo/crise-grega-leva-reformado-ao-suicidio-na-praca-sintagma-atenas 

 

(Voluntários se mobilizam para combater onda de suicídios na Grécia)

 http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/10/111017_grecia_suicidios_mv.shtml 

 

(Austerity drives up suicide rate in debt-ridden Greece)

http://articles.cnn.com/2012-04-06/world/world_europe_greece-austerity-suicide_1_pharmacist-dimitris-christoulas-shot-suicide-note-anti-austerity?_s=PM:EUROPE

 

 

Joana Graça Feliciano
estudante - licenciatura de Relações Internacionais

 

 

publicado por Joana Graça Feliciano às 21:02 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Quinta-feira, 03.05.12

Portugal sem fundo

O que será deste futuro? Falo do futuro que nos é próximo e que outrora não era tão inquietante quanto o futuro longínquo, porque esse encontrava-se longe de mais para se prever.

 

Somos jovens, somos inexperientes de mais porque nem a experiência que precisamos nos é cedida. Estudamos, caminhamos longos anos num sistema educacional que nos cultiva e fornece instrumentos para o nosso desenvolvimento, mas que no fim - entre diplomas a mais ou a menos - não nos assegura oportunidades nesta decadente realidade.

 

"O futuro somos nós" - esta velha frase encontra-se desgastada por anos preenchidos de crises económicas, sociais e políticas.

Nada nos é garantido, mas também nada nos é possibilitado.

 

Resta-nos acreditar que temos algo de novo para oferecer e que as oportunidades nos serão dadas, eventualmente.

Resta-nos ser empreendedores do nosso futuro. Não nos podemos acomodar.  Não penhoremos o nosso presente em prol das dificuldades, nem nos limitemos a sonhar apenas durante a noite entre sonos mal dormidos e turnos de um trabalho que não nos preenche. Não fiquemos assim, sem perspectivas do que somos ou do que nos tornaremos. Ganhemos ânimo e folgo para as batalhas diárias que agora nos se apresentam! O optimismo não está ultrapassado. Temos agora de procurar soluções que não nos seriam tão evidentes há uns anos atrás, pois éramos novos demais para nos preocuparmos.

 

Falo da confusão em que nos encontramos: sem saber se o futuro (o próximo e não apenas o longínquo) que idealizámos e para o qual tanto lutámos será possível de concretização.

 

Falo do Portugal sem fundo em que nos tornámos. Os tempos são difíceis, os trocos no nosso bolso escasseiam e as ideias são demais para se concretizarem. Vivemos num marasmo que só uma crise tão aguda quanto esta poderia tornar possível.

 

Mas será assim tão tortuoso este caminho que o sopro das impossibilidades foi capaz de apagar toda a réstia de esperança num Portugal sustentável?

 

 

Joana Graça Feliciano
estudante - licenciatura de Relações Internacionais

publicado por Joana Graça Feliciano às 21:43 | link do post | comentar | ver comentários (4)
Segunda-feira, 30.04.12

Haja Coragem!

 

 

 

 

 

 

 

 

Haja coragem para enfrentar estes dias fastiosos, este mar de incerteza e sem futuro em que vivemos. Haja coragem para não desvanecer.


Para mim os tempos passados, de um Portugal aventuroso pelos bravios caminhos marítimos estão ultrapassados. Não vale a pena viver do passado se é no presente que crescem os nossos dias, e é para o futuro que nós caminhamos. É preciso ter atenção em quem nos quer implantar sentimentos de saudosismo de velhos tempos (ultra) passados. Quem o faz sabe muito bem o que tenciona. Criar distracções no presente com velhas histórias de tempos de glória é algo que deve ser sempre de desconfiar. O que há de tão errado no presente que não nos queiram deixar observar? Nós sabemos bem tudo o que se passa. Chamam-lhe de crise, de regressão, de más políticas (de maus políticos). Eu sou das pessoas que gostam de chamar as coisas pelo nome. Se a nossa vida é feita das escolhas por nós adoptadas, assim também o é este presente. Somando o negro percurso de longos (e penosos) anos de más opções e acções tomadas, o resultado que se apura é esta actualidade sem grandes fundos.


Se gerir o país é similar a gerir uma casa, acho que temos muitos maus senhorios.
É tão português o fado como os “remendos”. Aqui não se previne, só se remedeia – podia ser este o slogan de Portugal. Bem sei que não é muito apelativo, mas pelo menos é verdadeiro.

 

Joana Graça Feliciano
estudante - licenciatura de Relações Internacionais 

publicado por Joana Graça Feliciano às 22:19 | link do post | comentar
Domingo, 29.04.12

Não se pode despejar uma ideia

O debate público à volta da ocupação da escola do bairro da Fontinha é, na minha opinião, o mais interessante e importante debate da última década sobre a natureza dos espaços públicos. Mais do que discutir acerca de legalidades ocas, trata-se de legitimar emocional e objectivamente o usufruto pacífico e construtivo dos espaços que, simbolicamente, pertencem à população, sem pagar qualquer renda nem pedir explicações às autarquias, que desde há muito tempo se despiram do dever social de reabilitar as áreas urbanas estruturalmente pobres e degradadas. É o caso do bairro da Fontinha, antigo bairro operário no centro do Porto. O escultor José Rodrigues disse, em 2008, que se encontrava “rodeado de miséria e tristeza” as quais apenas eram acentuadas pela proximidade quase irónica com a zona mais cosmopolita da cidade. De facto, os próprios habitantes lamentavam-se de queixas constantes apresentadas à PSP de roubos, assaltos e tráfico de droga nas ruas do bairro. As pequenas casinhas de pedra são maioritariamente ocupadas por idosos que sempre lá viveram e por famílias de poucos recursos económicos e culturais.

 

Foi o ano passado que um grupo de activistas decidiu ocupar o antigo edifício da escola, encerrada em 2005 por ordem do Sr. Rui Rio, e iniciar um projecto totalmente auto-financiado e auto-gestionado de reabilitação das estruturas e dos materiais existentes. Tudo isto sem chatear ninguém, e muito menos sem pedir contas a nenhuma autoridade irresponsável que tinha claramente deixado em suspenso a felicidade da população do bairro em prol de outro tipo de projectos: uns que não dessem despesa, e já agora que perpetuassem as desigualdades sociais de forma a manter vivos a alienação e o medo, das pessoas face à sua própria condição, por um lado, e das pessoas face à possibilidade de adquirirem essa consciência e de a fazerem valer, por outro. Os ocupas irritaram a Câmara porque acabaram com o medo, a violência e o tráfico. Chatearam-na porque agora, vejam bem, as crianças têm acesso a actividades livres e gratuitas, desde apoio escolar a desporto e artes-marciais. É de facto uma chatice ver que, agora, há jantares comunitários todos os Domingos, e que as pessoas do bairro até se reúnem na rua para discutir políticas sociais e possíveis projectos comunitários com os activistas. Chega a ser inimaginável o descaramento dos velhotes, a sua felicidade ao verem o bairro onde sempre moraram e quanto ao qual já não tinham grande esperança a ser valorizado e reanimado por uma nova geração de habitantes que se preocupa com o futuro dos seus netos.

 

Rui Rio desculpa-se usando o argumento da legalidade, cuja cartada mais recente é a suposta “ameaça” feita pelo grupo Anonymous (o qual, esclareça-se, não tem qualquer envolvimento directo no colectivo, tratando-se apenas de um gesto de solidariedade pelo qual não se pode criminalizar os activistas). Ironicamente, foi a própria Câmara do Porto a actuar ilegalmente, ao não assinar a sua parte do contracto de formalização do colectivo Es.Col.A e ao enviar forças de segurança que não só foram violentas para com a população da Fontinha e os activistas pacíficos, no caso da Polícia de (in) Segurança Pública, como também foram destacados bombeiros sem farda e de cara tapada para procederem à operação de despejo, facto que a Associação Portuguesa dos Bombeiros confirmou e perante o qual já pronunciou o seu desagrado.

Por estas razões, o argumento da ilegalidade não é suficiente para desculpar a insensibilidade social da Câmara Municipal do Porto perante um projecto que estava a reabilitar um dos bairros mais pobres da cidade, a promover a coesão social e a melhorar consideravelmente a qualidade de vida dos seus habitantes sem pedir um cêntimo à autarquia para se financiar. Quem devia pagar 30 euros era a Câmara do Porto ao colectivo Es.Col.A. e à população da Fontinha, e não o contrário.

 

O que os ocupas fizeram foi desafiar a autoridade que se justifica a si mesma, com as suas leis e regulamentos ocos, desligados da própria realidade. Ou pelo menos da realidade vivida pelos habitantes do bairro da Fontinha. Os miúdos que estavam, todos os dias, a receber apoio escolar e actividades lúdicas gratuitas não percebem porque é que existe uma lei que os proíbe de terem um espaço que eles próprios ajudaram a construir, física e simbolicamente, e do qual usufruem gratuitamente todos os dias, na companhia dos amigos do bairro e daqueles “ocupas”, que pelos vistos até são gajos simpáticos.

 

Apesar da reacção desproporcionada da Câmara do Porto, o projecto tem recebido o apoio da opinião pública em geral, dos meios de comunicação social e dos movimentos sociais, de tal forma que até Lisboa já tem uma casa ocupada, em solidariedade com o Es.Col.A., no nº 94 da Rua de S. Lázaro. Este grupo de pessoas corajosas está a dar-nos a todos uma óptima lição: que a palavra “cidadão” não tem de, nem deve, designar as amarras que nos prendem irrevogavelmente aos princípios burocráticos e constitucionalistas de um poder que já não nos serve enquanto indivíduos, mas antes designar aquela qualidade que nos dá, enquanto pessoas dotadas de ideias e projectos de vida, o direito, esse sim irrevogável, de participar activamente na construção de um mundo (leia-se, bairro) no qual possamos viver realizados, e não apenas existir como escravos de nós próprios.

 

Adriana Albuquerque

estudante - licenciatura de Sociologia

publicado por Joana Graça Feliciano às 21:06 | link do post | comentar
Quarta-feira, 25.04.12

O 25 de Abril, a Revolução e os 38 anos que já passaram…

Todos os anos são-nos relembradas as lutas passadas do nosso povo, entre elas destaca-se pela sua importância política e social a Revolução dos Cravos, o 25 de Abril de 1974. Nos dias que corriam antes dessa data, a luta contra a ditadura era uma constante e o que alimentava o povo português era a esperança na construção de um país renovado que passava pela ânsia da liberdade, que há muito se encontrava subjugada aos interesses dos opressores da época.

 

Hoje a luta é outra. Já não se travam disputas pelo fim da ditadura, mas sim pela eficiência que é devida a esta democracia que nos foi herdada. Os valores que pontuavam a Revolução de 1974 foram perdendo o seu conteúdo, muito devido às dificuldades que se foram impondo no caminho e crescimento do Estado português.

Passados 38 anos desde este marco histórico, novas questões e análises são feitas sobre o legado pós-revolucionário. A dúvida que se impõe agora em muitas das mentes portuguesas é a da transposição dos valores do 25 de Abril para a nossa actualidade e a qual a constatação do presente faz agravar: “Foi para isto que se fez o 25 de Abril e precisaremos nós de um nova revolução para enfrentar os novos tipos de opressão que o século XXI nos reservou para que assim despertemos a consciência cívica?”.

 

A resposta a esta e muitas outras dúvidas que o tempo de crise política e económica nos levam a formular, são de resposta e consensos difíceis de obter. Mas a verdade é que o 25 de Abril foi feito para obtermos a realidade que temos agora, independentemente dos defeitos que nela encontramos. A Revolução foi feita para quebrarmos com o isolacionismo e anacronismo que nos tinha sido imposto, foi feita para crescermos em democracia, alcançar Justiça Social e viver nos valores liberais da nova era.

Mas a realidade que nos se apresenta agora parece sofrer de uma carência de muitos desses valores pelos quais lutámos arduamente para obter.

 

Não temos necessariamente de olhar para o presente como um castigo pelas decisões do passado, e nem devemos colocar de parte os valores republicanos que construímos. Temos sim de continuar a lutar pela democracia que alcançámos e desse modo reaviva-la para que sejam ultrapassadas as fragilidades e insuficiências que nela começam a transparecer.

 

Há que dar uso à liberdade conquistada e que aparenta estar cada vez mais limitada. O 25 de Abril não foi feito para esta realidade exacta em que nos encontramos, mas foi feito para conseguirmos obter muitos dos meios que são necessários para a ultrapassar.

 

São por estas razões aqui mencionadas que a Revolução dos Cravos aconteceu e são por estas mesmas razões que todos os anos nos é relembrada esta data. Tudo isto para que não esqueçamos que a aspiração portuguesa foi escrita há 38 anos atrás e passava pelos mesmos ideais e valores simples de sempre: um país mais livre, democrático, justo e fraterno.

 

 

Joana Graça Feliciano
estudante - licenciatura de Relações Internacionais 

 

 

 

 

 

publicado por Joana Graça Feliciano às 13:38 | link do post | comentar
Domingo, 22.04.12

Nota Introdutória

 Bem-vindos à "Zona Crítica" !

 

Este é um projecto recente que pretende fomentar uma análise política, económica e social sobre a realidade nacional/internacional, sem necessariamente seguir uma orientação partidária. 

 

 Na nossa lista de Colaboradores a tempo inteiro contam 5 nomes, mas esperamos que no futuro este número possa vir a ser alargado e quiçá contar até com colaboradores/autores pontuais que nos possam enriquecer com novas perspectivas. 

Os autores deste blog vêm dos mais diversificados backgrounds das ciências humanas, sociais, políticas e da comunicação.
Mencionando especificamente: 

 


Joana Graça Feliciano - Relações Internacionais

Frederico Aleixo - Ciência Política

João Madeira - Jornalismo

Miguel Máximo - Ciência Política

Pedro Silva - Ciência Política

 

 

 

 

 


publicado por Joana Graça Feliciano às 13:04 | link do post | comentar

"Zona Crítica"

é um projecto recente que pretende fomentar uma análise política, económica e social sobre a realidade nacional/internacional, sem necessariamente seguir uma orientação partidária.

Colaboradores

Joana Graça Feliciano (Administradora)

António de Almeida Carvalho (Colaborador)

Frederico Aleixo (Colaborador)

João Madeira (Colaborador)

Miguel Máximo (Colaborador)

Pedro Silva (Colaborador)

Ricardo Palmela de Oliveira (Colaborador)

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