Terça-feira, 05.06.12

A democracia e o FMI

 

 

Há uns dias atrás, a directora do FMI, Christine Lagarde, deu uma entrevista ao jornal britânico Guardian. Na entrevista, a directora do FMI, ao falar sobre a Grécia, teve esta tirada: “Eu não pago impostos, mas vocês devem paga-los. “ Esta atitude, aliado ao seu salário anual de 467,940$, mais 83,760$ de ajudas, gerou uma onda de contestação nas redes sociais (http://www.facebook.com/GreeksVSLagarde). Christine Lagarde, tal como todos os funcionários da ONU (e suas ramificações), não pagam impostos, ao abrigo de um acordo internacional. Lagarde, na entrevista, afirmou também que sente mais pena das crianças do Níger do que dos idosos gregos (talvez desconhecendo que tal como no Níger também na Grécia já existem casos de fome). É sempre bom saber que, a directora de uma instituição mundial, faz diferenciação entre vidas humanas, invés de tratar todas de forma homogénea. 

 

Mas porquê pensar em democracia numa instituição internacional (e não apenas europeia), em que o seu director geral tem de ser europeu, e em que 11 vezes possíveis, 5 foram ocupados por franceses? Mas talvez, a senhora Lagarde, esteja a ser mal interpretada, talvez ela tenha tido apenas um momento da nostalgia durante a entrevista, recordando com saudade o período em que a França colonizou o Níger. Fruto desse colonialismo francês, e de sucessivos golpes militares, o Níger é hoje um dos países mais pobres do mundo e com um dos piores índices de desenvolvimento humano. Para agravar, o Níger foi alvo de um ajuste económico do FMI em 1994, apesar da resistência popular e da oposição. O director do FMI em 1994, um dos antecessores da francesa Christine Lagarde, era também o francês, Michel Camdessus. Parece que o Níger ainda continua a ser uma questão sensível para os franceses, que continuam a encontrar formas legais de perpetuar o seu legado colonialista em África. Se Christine Lagarde, tem pena das crianças do Níger por terem sido colonizadas pelos franceses, pela guerra civil, pelos golpes militares, pelo insucesso do programa económico do FMI em 94, por ser um dos países mais pobres e com pior IDH, então sim, eu subscrevo a sua empatia para com as crianças do Níger. Mas vou ainda mais além, porque sinto pena por todas as crianças e idosos que passam fome em qualquer parte do mundo (na Grécia também, mas a senhora Lagarde desconhece esses casos). Tenho pena porque os EUA, (por curiosidade o país com mais peso no FMI, com 17% de poder de voto) tenham possibilidade de acabar com o flagelo da fome mundial, bastando para isso despender o equivalente ao seu orçamento militar.

 

Por falar em militar, é interessante o apoio do FMI, com os seus famosos programas de ajuda económica, a ditaduras militares (mais um exemplo claro de democracia). No total foram 21 casos: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, El Salvador, Etiópia, Haiti, Indonésia, Quénia, Libéria, Malawi, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Filipinas, Somália, África do Sul, Sudão, Síria, Tailândia e República do Congo. Escusado será dizer que tanto nestes casos como nos outros, estes programas falharam sempre, aliás, até prejudicaram muito mais os países. Estes programas impõem sempre medidas severas de contenção de gastos públicos, não considerando tais gastos como investimentos. O exemplo da Argentina é o melhor que ilustra esta situação. A Argentina teve que privatizar o sector da energia e da água, deixando ao interesse dos privados e estrangeiros, o preço da electricidade e da água (sectores estratégicos e fundamentais em qualquer economia). Só após a ruptura com o programa do FMI, a Argentina começou a mostrar resultados de económicos positivos. Talvez Portugal, e este governo em específico, aprendam com a História e percebam que os programas do FMI nunca funcionaram nem nunca vão funcionar, mas a avaliar pela convicção do ministro Paulo Portas, que defendeu que este programa vai funcionar e Portugal será um exemplo para o mundo, pois será o primeiro país da História, em que um programa do FMI funcionará. A História encarregar-se-á de mostrar, que tal como a Angela Merkel ao apontar Berlim na Rússia num mapa da Europa (talvez já a pensar numa possível expansão alemã ou talvez a apontar vingança à Rússia, visto que Hitler começou a perder a guerra, ao ser derrotado na Rússia), também Paulo Portas irá equivocar-se.

 

 

Pedro Silva
Estudante – Mestrado Ciência Política

 

publicado por Pedro Silva às 17:19 | link do post | comentar
Quarta-feira, 02.05.12

Made in USA

 

Esqueçam a Apple, a MacDonald’s ou a Coca Cola. A empresa norte-americana que mais exporta é a Casa Branca, e a sua mercadoria mais valiosa é a corrupção politica. A corrupção não é uma invenção norte-americana, é um problema intrínseco à invenção da Democracia. Mas a intervenção política (entenda-se aqui, trocar líderes democraticamente eleitos por marionetas ao serviço das corporações) aliada à corrupção, é algo tão americano como a tarte de maçã.  Mas chega de difamação e passemos aos factos históricos:

 

- Os EUA foram o único país a usar bombas atómicas


- Foram o único país a ser condenado por «uso ilegítimo da força» pelo Tribunal Internacional de Justiça                                                                 

– Juntamente com Israel votaram contra uma moção de condenação ao terrorismo internacional, na ONU em Dezembro de 1987                                                                 

               

- Mossadegh, Allende e Patrice Lumumba foram apenas uns dos muitos líderes que morreram por não corresponderem aos interesses norte-americanos

 

- O uso do agente laranja e os desfolhantes na guerra do Vietname fizeram com que 500 000 crianças nascessem deformadas

 

- Desde 1945, os EUA tentaram derrubar mais de 50 governos (democraticamente eleitos)

 

- O embargo económico a Cuba, o mais longo na História da Humanidade, começou aquando do derrube do fantoche americano, Fulencio Batista, por parte de Fidel Castro. Está estimado que o embargo tenha custado a Cuba, 750 biliões de dólares americanos

 

-Desde a Segunda Guerra Mundial até ao fim da Jugoslávia, há registo de 26 bombardeamentos norte-americanos sobre outras nações

 

- O orçamento militar que o Prémio Nobel da Paz, Barack Obama, aprovou foi o maior da História da Humanidade. Este orçamento era o suficiente para acabar com a fome em África 3 vezes. São gastos 200 milhões de dólares anualmente só em ar condicionado para os militares estacionados no Médio Oriente.

 

- O regime de Saddam Hussein foi apoiado pelos EUA enquanto gazeavam os Curdos em 1988

 

- Bin Laden, era uma ameaça e está morto agora. Pergunto-me se ele constituía uma ameaça quando o treinaram para combater os soviéticos

 

Uma das bandeiras de Barack Obama era o fecho de Guantánamo. Até hoje viu-se pouco ou nada do líder do Free World, e prémio Nobel da Paz. Não se espera que um só Homem consiga a paz mundial, mas espera-se que mantenha a integridade e não se torne um hipócrita. Parece que o American Dream só faz sentido se estivermos a dormir como a Bela Adormecida.

 

Termino o meu texto referindo que não faço parte da geração do ”Yes we can” pertenço antes à geração do “Just do it”

 

 

 

Pedro Silva

estudante - Mestrado em Ciência Política  

publicado por Pedro Silva às 20:26 | link do post | comentar | ver comentários (9)

"Zona Crítica"

é um projecto recente que pretende fomentar uma análise política, económica e social sobre a realidade nacional/internacional, sem necessariamente seguir uma orientação partidária.

Colaboradores

Joana Graça Feliciano (Administradora)

António de Almeida Carvalho (Colaborador)

Frederico Aleixo (Colaborador)

João Madeira (Colaborador)

Miguel Máximo (Colaborador)

Pedro Silva (Colaborador)

Ricardo Palmela de Oliveira (Colaborador)

mais sobre mim

ZCfotofb

pesquisar neste blog

 

Setembro 2012

D
S
T
Q
Q
S
S
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

posts recentes

últ. comentários

Posts mais comentados

arquivos

tags

participar

Nota:

Qualquer reprodução do conteúdo do blog "Zona Crítica" deve ser sempre feita com aviso prévio e com referência à sua autoria.