Síria – Qual a melhor solução perante uma comunidade internacional adormecida?

O que se tem passado na Síria, não tem sido só criticado por questões morais e de ética , mas também pela falta de eficiência da comunidade internacional perante as atrocidades cometidas pelo regime Sírio face à sua própria população. 
O governo ditatorial de Bashar Al-Assad  tem reprimido as forças rebeldes que se opõe ao regime, encontrando pelo meio , um vasto número de civis inocentes que vão sendo vitimas de crimes de guerra,  contra a humanidade , violando não só os Direitos Humanos mas como o próprio Direito Internacional.
Face a Damasco, pouco ainda vimos a ser feito pelo nosso mundo Ocidental, onde este tipo de questões são condenáveis e repugnáveis. Não é uma questão de relativismo cultural, sendo que a carta dos Direitos do Homem é Universal, e nenhum povo com direito à autodeterminação quer estar debaixo de um conflito sangrento, vendo todas as suas vidas serem destruídas por aquele que as deveria proteger : o Estado.
Não é uma questão de ingerência e de soberania, pois já vimos intervenções em países por factores meramente securitários, ou de interesse ocidental, tal como vimos intervenções que rapidamente travaram eventos tão desumanos como este. As tentativas de parar as acções de Damasco já contaram com duas tentativas do Conselho de Segurança (vetadas pela China e Rússia), sanções da União Europeia, e uma NATO passiva, ao contrário do que aconteceu na Líbia. 
Potências benéficas como aos Estados Unidos, estando agora à beira de eleições, têm outros interesses políticos, securitários e económicos como a questão nuclear do Irão e não tendo recursos suficientes para se lançarem em mais intervenções, estando o próprio povo americano exausto de Guerras. 
A intervenção militar pode nem sempre ser o melhor caminho, mas as sanções que vão continuando a ser executadas pela comunidade internacional, também vão acabar por ter impacto na vida do grupo-alvo que queremos salvar: a população. Bloqueios diplomáticos e económicos vão fechar mais um regime por si já fechado e que tem desrespeitado cessar-fogos sucessivamente.
A ONU já entrou no terreno Sírio, levando uma equipa de observadores. Esta já denuncia a infracção de cessar-fogo e a falta de compromisso por parte do regime de Assad em manter tréguas, pelo contrário, este ainda procura limitar a entrada de mais observadores da organização no terreno… Até que ponto a situação continuará assim, visto que a insegurança nesta região continua a ser uma importante questão de segurança para o Ocidente, tanto a curto e a longo prazo. Fechar agora os olhos a isto, não irá prejudicar o mundo ocidental agora , mas mais tarde , assim que sentimentos anti americanos e ocidentais crescem entre um povo que vê uma comunidade internacional  quase passiva perante o seu massacre…
A opinião pública tem sido mais eficaz, na condenação e promoção do cessar-fogo, nomeadamente após o vazamento de alguns vídeos de conteúdo desumano. No entanto as redes sociais também servem para fazer pressão : um vídeo com um apelo à mulher do ditador,  feito por mulheres de todo o mundo, resulta numa campanha que visa por termo a ditadura de Damasco.

 

 

 

 

 

Artigo Originalmente publicado a 19 de Abril de 2012

 

 

 

Ricardo Palmela de Oliveira

 

estudante- Licenciatura Relações Internacionais 

 

 

publicado por RicardoOliveira às 20:54 | link do post | comentar