A Mão Invisível

A mão invisível,
grande ferramenta
económica,
aquela mão
que nos corrige
a postura,
quando nos vemos
face a face
com a cara da amargura.

Quando
passamos pelo pedinte
que chora silenciosamente,
ou aquela mulher
que mostra os seios
na rua,
é demente.

Quando passamos
pelo menino
que anda ao lixo,
todas as noites
apanha a coloquial
carga até ganhar bicho.

Quando passamos
porque aquele rapaz
que trabalha desde
os oito,
ainda de cara doce,
se encaminha
para uma
mortalha precoce.

Quando tudo
o que vemos está
à nossa frente,
e os grandes lados,
são passados,
e ignorados.
Regurgitados,
e rejubilados,
caídos e abandonados,
como fruta podre no chão.

Que mesmo
longe da visão,
empesta
uma sala
daquele odor
peculiar
que nos faz passar
a odiar
ter nariz
e cheirar,
nos faz querer
cuspir
e vomitar,
para de lá sair
e não ter que
pensar
ou assistir.

Para uma terra sem fruta,
um mundo inorgânico
e biônico,
rasando tanto
o trágico
como o cómico,
com a sua perfeição
de papelão,
que tão bem
fica, nas fotos
a preto e branco.

 

 

António de Almeida Carvalho
Estudante - Licenciatura em Relações Internacionais

publicado por António de Almeida Carvalho às 13:07 | link do post | comentar